::gil elvgren::

Domingo, Novembro 22, 2009

Cumpri o 'fazer nada' como havia planejado, mas admito que não foi suficiente. Queria mais. Quanto mais distante da mesa, da baia, dos rostos diários, da papelada, do telefone, da rotina que maltrata minha inquietação... melhor seria. Mas voltei à prática constante das atividades e não escondo o desejo insaciável de ser agraciada com novas férias, concebidas sem pecado, aproveitadas como deve ser, longe dos clichês.
Acredito que o fato de trabalhar desde muito jovem, de estar sempre ocupada, sendo responsável por isso e aquilo, controlando lá e cá, precisando respirar fundo ao ser informada da reunião no horário do almoço, da hora extra na sexta-feira, dos comentários desnecessários ou observando atitudes desaprovadas pelo padrão de qualidade que eu mesma imponho, sejam o real motivo de querer buscar mudanças.
E algumas verdades eu tomo como minhas porque nunca consegui ficar parada... porque nunca quis depender de ninguém para realizar meus objetivos e nunca me contentei com o 'amanhã a gente resolve'. Quero para agora e quero já.
Cansei do ir e vir, mesmo mudando meus caminhos e olhares. Cansei de determinadas pessoas, daquela espécie que nada faz para os outros ou para si e que reclama a todo instante, achando que o mundo é o culpado pelos seus fracassos. Cansei da temida mesmice... não é preguiça, muito menos seria melancolia; apenas o desejo pelo contraste.
Precisava gastar meu tempo sem culpa. E nesse hiato pude perceber a importância de se manter livre de julgamentos, insatisfações e conveniências. E assim o fiz porque aprendi que a vida é muito mais do que um dia intercalado por uma noite.

Terça-feira, Novembro 03, 2009

O 'fazer nada' foi a primeira opção.
E dessas férias eu não quero nada mais, além do mais, é claro.
Tenho visitado lugares novos, reencontrado velhos amigos, repensado certos conceitos e concluído que a vida é sempre mais do que se espera quando você se dispõe a vivê-la... da forma que ela se oferece.
E assim tem sido.
Quando não sou minha melhor companhia, divido devaneios, troco experiências, escuto conselhos e dou-me o direito da escolha... porque a máxima do 'não se pode ter tudo na vida', mostra-se mínimo para quem só quer 'fazer nada'.
Merecidamente.

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Estou sentido falta de mim mesma. Tenho questionado certos acontecimentos, duvidado das razões, desviado atenção para os rumos que a vida toma, sem Google Earth que dê direcionamento, coordenada ou imagem ampliada.
Em alguns momentos, não me reconheço no meio de toda aquela gente que transita acolá, cada um com sua história, cada qual com sua verdade, todos em busca de suas próprias conveniências.
Admito que já tive medo do desconhecido, que fiquei ansiosa diante das mudanças; mas hoje eu busco alternativas, sem grandes preocupações, apontando o dedo para o mapa e marcando territórios que agora chamo de meus.
Coragem não me falta, mas só fui descobrir que eu era forte quando mais enfraquecida estava.
E em curto intervalo, aprendi a dizer 'não', perdi o medo de questionar e parecer boba, decidi resolver da minha maneira, não esperei a boa vontade de fulano, confirmei que a combinação da roupa era imprópria para a ocasião, alertei que a tintura do cabelo não ressaltava o melhor que há em você, gargalhei da atitude patética de quem quer fugir do previsível, acenando para a sociedade crítica e dizendo: "ei, olha como sou descolada".
Less is more.
Hoje eu tenho completa consciência de que as pessoas não mudam. E aprendi a arte milenar do 'passa o tempo, permanece o caráter' ao tentar mudar aqueles que sempre foram como realmente são.
Porque o bom da descoberta é o exercício do 'desapego'.
Aquela parte (podre) da família que não era tão família;
Aquele amigo (das indiretas) que a considera uma irmã*, mas que não passa de desconhecido;
Aquela vizinha camarada (e fofoqueira) que não se pode contar quando precisa;
Aquela amiga (insegura) de longas conversas pela madrugada que se omite na madrugada seguinte;
Aquela blusa (sem estampa), comprada naquela tarde, usada naquela ocasião, que desbotou e saiu de moda.
Aquele sapato (salto phyno*), confeccionado para você ficar sentada, porque, se ousar andar, ele deixará vestígios na pele.
Cansada da precariedade, eu gritei o seguinte:
- Deixa que eu escolho minhas cicatrizes, p*hha.
Porque eu não consigo ser e estar. Esboçar sorrisos, tendo o coração aflito.
Não, eu não fui mais feliz um dia, também não confirmo minha tristeza e total descrença na humanidade neste exato momento, só precisei ficar fora uns dias, conhecer minhas prioridades, esquecer os desafetos, lembrar da mancada para não repetir o erro mais adiante, apagar alguns números e recados.
É isso, só precisei ficar fora uns dias.
E sairei sempre que quiser me encontrar.

Quinta-feira, Outubro 01, 2009

Tem me faltado paz. Na verdade, talvez eu nunca a tenha tido. Ou melhor, ela só tem se tornado cada vez mais distante e utópica.
Sair com os amigos, conversar, sorrir... distrai, mas não tem exorcizado alguns demônios que sempre teimam em voltar. Na verdade, um deles "mora" comigo, vive se escondendo mas, vira e mexe, a gente se cruza pelo corredor da casa, num tom desagradável, com cheiro de enxofre e aquele ar de reprovação e completo nojo.
Em determinada hora, quero desafiar todos os problemas, refazer minha vida além daquele horizonte, recomeçar. Em outros, quero deitar e dormir, um sono que me faça esquecer que decepções existem e que, o pior de tudo, é a mentira que nenhuma palavra sustenta como verdade.
Essa semana, enquanto conversávamos animadamente, uma amiga perguntou:
- O que foi?
E eu respondi sem responder, somente refazendo sua pergunta, e ela:
- Você está triste.
- (...)
É, eu não consigo mesmo disfarçar, por mais que eu tente levar para a estante da sala o Oscar de 'Melhor Atriz', após atuar em um daqueles filmes do Almodóvar... Mas garanto a vocês que o grande indicado e forte vencedor para qualquer categoria do Framboesa de Ouro, levará o prêmio e menção honrosa.
.
.
.
Ficarei off por uns dias.
Deixe seu recado após o sinal.
E nem preciso dizer que "sua ligação é muito importante para nós".
.
Vou procurar a paz e vejo vocês por aí.

Domingo, Setembro 20, 2009

"... O quê que hááááá? O quê que está se passaaaaaaaaaando..."
Não, não estou cantarolando
música de Fábio Jr. Também não vou me casar com o "moço" (já que a possibilidade de você passar por essa vida sem casar com F. Jr. é a mesma de você ir à cozinha e não abrir a geladeira. Resultado = nula. Um dia você vai se casar com ele, não adianta tentar se enganar!).
Ok, ok... mas o trecho da canção era só para ilustrar que eu estava revendo alguns textos e, para minha surpresa, os meses de setembro possuem basicamente as mesmas reclamações, dramas, alegrias e anseios deste ano aqui *ó* e dos outros também.
São/foram mudanças no ambiente de trabalho, recordes extraordinários de respiração no saco para manter a calma sem perder a dignidade, cantorias no trânsito que se transformam em shows ao ar livre (a coreografia de Single Ladies é minha preferida! *hohoho*), um calor dos infernos (sim, eu odeio sol... samba, suor e cerveja), objetos inanimados encontrados no prato que cuidadosamente preparei no self-service e, o principal, a falta de tempo.
Nesse período de entressafra, muita coisa aconteceu, alguma experiência eu absorvi ou pouco me importei.
E dividindo mais um momento 'nada com coisa nenhuma', vamos ao famoso (?): *Coisas de Marilyn*!

A)
Quem não tem vizinho chato que minta agora?!
Eu ganhei vizinhos novos... e que não vejo em momento algum. A casa é habitada por uma variedade infernal de cães que latem dia e noite, sem que a gente consiga abstrair o barulho... mesmo que recite um mantra para encontrar a paz, Om Namah Shivaya. E eu que sou apaixonada por cachorros, que quero casar e ter um casal de beagles, estou revendo meu conceito de estrutura familiar.
Tenho lá minhas hipóteses: meu vizinho invisível deve ser surdo ou ele comprou o cafofo para abrigar os cães infames. No último feriado, cheguei em casa no final da tarde e notei que o portão da família Adams estava aberto. Estranho, muito estranho (sempre está tudo muito fechado). Opa, nenhum latido! Mais estranho ainda. Horas depois, chegou uma viatura policial para verificar o que havia acontecido e notaram que o portão eletrônico abriu sozinho. Não querendo ser má, mas deixando meu lado vilã aflorar, a primeira coisa que pensei foi: obrigada Deus, obrigaaaaaada, os cachorros fugiram e agora posso ouvir o canto dos pássaros e manter o coração puro!
Que nada. Dos 300 exemplares caninos que a ghost family possui, apenas um fugiu. Oh, shit. E o inferno continua: eles não param de latir, não vejo ninguém na casa e estou fazendo figa para que os cães tenham qualquer oportunidade de fuga para outra dimensão, se o cardápio oferecer.


B)
Quem não tem parente chato e inconveniente... que minta de novo?!
Essa semana precisei fazer uma espécie de videoconferência com uma prima  que resolveu questionar determinados assuntos "familiares" em página de relacionamento. Ah, faz-me rir. A entidade, ops, pessoa, mandou o recado sem adicionar a quem interessava... testando a capacidade de indiferença a assuntos que não se discutem via scrap, néam*. Resposta vai, resposta vem, ela fez minha irmã chorar. Aí a coisa mudou de figura. Se fui phyna* e educada mandando o famoso depoimento 'por-favor-não-publica'? Que nada. Resolvi gastar saliva, descobri o número de contato dela após falar com zilhões de parentes (viu, como ela é próxima?) e liguei para esclarecer a razão de tudo aquilo. E eu que um dia fui classificada como calada, tímida e meiga (*hahaha*), fiz ela perceber a repaginada, o up que a vida me deu. Posso sim ter sido mais quieta em alguma etapa de minha existência, mas... mudei. Ah, se mudei. Sou 'gente como a gente', mas tenho meus momentos Amy Winehouse, digo o que quero dizer, quando quero e para quem quero, a timidez fez a curva há muito tempo e a meiguice... foi junto de carona. Não sou delicada, sou justa. Quando vi, já falei. E acho que ela ouviu o suficiente. Ora, para quem não tem o que fazer ou quer simplesmente reter informação para repassar pra quem interessa - vulgo, fofoca - e reclama porque mora em determinada região do país que dificulta o contato com a "família", vai andar de balsa, vai pescar na beira do rio e deixa em paz quem em paz está (tentando chegar).
E para fechar com chave de ouro cravejada de diamantes, o *Coisas de Marilyn* pergunta:

C)
Quem nunca pegou um congestionamento imoral e o carro pifou enquanto você estava na faixa do meio?
Alguém?
Oi?
Sexta-feira, voltando feliz para casa, sou interrompida por um engarrafamento que me fez perder a hidratação capilar e a podada* que minha bucha* sofreria, tudo marcado há dias. E já que freios-de-mão foram desativados, no esquentar dos motores, resolvi desligar o meu possante também e dar um descanso para o pé que maltratava a embreagem e vice-versa. Maaas, quando o carro da frente andou meio metro, cadê que o meu ligava?! Murphy, sweetheart, eu sei que você muito me ama, mas entenda... temos incompatibilidade de gênios.
Enfim, precisei pedir ajuda para chegar no acostamento, um moço apareceu e, com toda a virilidade que Deus lhe deu, ele empurrou meu carro, enquanto eu guiava para a direita com a força do pensamento. Quando vi, tinha uma multidão ajudando. Geeeente, comoção nacional, fiquei assim, olhos marejados. :D
E o esquema de ligar no seguro e esperar o mecânico... funcionaria como? Ok, ele vai chegar por céus... já que por terra estava... er, engarrafado. Dei a dica para a atendente: moça, peça para que o mecânico venha de moto.
{...} ouvi o mesmo CD 3 vezes...
E na meia hora em que esperei e que ele jamais chegou, o possante resolveu funcionar só-porque-sim e segui em frente, chegando em casa azul de fome, com o pé doendo (embreagem maldita), transbordando cansaço e ainda tendo de ouvir os cachorros latirem madrugada adentro.
Na boa, criar peixe é tão mais fácil... digo, silencioso! :/

Segunda-feira, Setembro 07, 2009

As dificuldades da vida moderna chegaram por aqui, me pegaram de bobes e sem nenhum pancake para disfarçar a cara de pobre.
Bem tentei, mas não consegui evitar que o ar de abandono deixasse um rastro de poeira e uma caixa de mensagens estufada de correspondências.
Não, não viajei. Também não estive de férias, o que é lastimável. O resumão da problemática deixou um blog sem atualização, recados acumulados em formas de emails, scraps em sites de relacionamento e anotações na agenda. Passei pelo tormento das senhas esquecidas e pelo desapego do hábito diário em responder 'what are you doing?'.
Na verdade, muitas semanas ficaram para trás - e não me pergunte quantas -, mas há dias eu tento atualizar o blog, trazer alguma história interessante, comentar algum fato esdrúxulo ou apenas contar passagens toscas dessa vida acometida pela completa falta de tempo.
Fui a protagonista daqueles filmes em que o ator, quando acorda, se dá conta de que foi parar em uma ilha deserta, precisando pescar, fazer fogueira, forçar amizade com os animais selvagens e mandar mensagem de SOS para ser resgatado.
Ok, sem exageros, mas posso afirmar que eu acordava e seguia para o trabalho sem lembrar do trajeto, já tão comum, graças aos engarrafamentos eternos que as obras do Governo fizeram piorar.
Estive off porque o trabalho me impediu de ter uma vida virtual digna, pronto, falei.
Cheguei ao ponto de escrever tópicos que serviriam de base para textos do blog, colar na baia em que me acomodo para exercer minhas funções, mas não consegui sequer fechar atribuições impostas pela chefia.
Em meio a tudo isso, foram tiras de sandália quebradas em pleno passeio aleatório, cara feia de colega de trabalho só porque fui sincera quando questionada, reuniões iniciadas ao meio dia, mudanças estranhas anunciadas e barriga vazia até às 15h, seguidas por questionamentos absurdos, piadas de mal gosto e puxa-saquismo habitual.
E só para continuar a série do famoso *coisas de Marilia para os dias mais estressantes*, funcionava dessa forma: na volta do trabalho, eu mudava o caminho de casa e corria para o shopping, queria caminhar, ver gente, vitrine e comprar algumas blusas, vestidos, bolsas e fast-food. Outro dia, tive uma crise de choro em pleno trânsito, voltando pra casa e fui parar numa Igreja, sozinha, pra ver se encontrava um pouco de paz. Mandei emails tarde da noite e me arrependi (só um pouco) na manhã seguinte. Sim, completei o ritual, dando colheradas generosas no pote de Nutella e bebendo água, colherada boa no pote de Nutella e bebendo água, de novo e de novo...
Para se ter uma idéia do meu cansaço, eu andava sonhando (coisa que pouco acontece). Claro, levando em consideração que eu sonhava quando conseguia (realmente) dormir como qualquer ser humano. O sonho? Então, a cena era a seguinte: eu saía do restaurante com alguns amigos e caminhava até a livraria próxima ao prédio em que trabalho. Rotina. Mas foi quando de repente, não mais que de repente, eu encontrava... Bob Marley. E no recinto, eu trocava várias idéias muito cuca no lance com o cara, bem ali, na escada da livraria, que leva à seção de Turismo.
Gente, na boa, eu pouco escuto reggae. Gosto, mas pouco escuto. Por qual razão ancestral eu fui sonhar com Bob, pelamor*?! Alguém aí decifra sonhos? Alguém? Oi?
Do jeito que meu estresse anda, Bob deveria ter me levado ao setor de Auto-ajuda e indicado alguns best-sellers, isso sim. Ou "saying 'This is my message to you'. Don't worry about a thing... 'Cause every little thing gonna be all right".

Sábado, Agosto 22, 2009

E quem nunca teve um momento bipolar que jogue o primeiro relaxante muscular, que lance o primeiro anti-depressivo ou que negue a ingestão de um calmante para dormir leve feito pluma. Vamos lá, não se acanhe, até Britney já passou por isso! Coragem, amiga(o)!
Na verdade, não sou usuária desse tipo de alternativa pra driblar tristeza, inquietação ou qualquer outro surto. Mas desconfio de quem é feliz o tempo todo; assim como também desconfio de quem se entristece e lamenta cada frase.
E assim tudo aconteceu. Tive dias ótimos, ao lado de pessoas que amo, repleta de atividades interessantes e muito assunto para preencher as horas. Mas em dias seguintes, uma tristeza grande teimou em castigar, lembrando do que foi, como poderia ter sido, das ausências e saudades. Resultado: cho-rei, abraçada ao travesseiro, aquela coisa bem Bridget Jones, sabe... (com direito a 'All by myself' ao fundo)
Para minha sorte, não sou assim o tempo todo, apenas me dei ao direito da reflexão, do pijama, de um sorvete com bastante calda de chocolate e percebi que na vida tudo é muito delicado. Em um instante, as sensações são contagiantes, em outro momento, é um desânimo que tenta persistir.
(Ha, mas não consegue!)
E quando isso acontece, forço-me a lembrar que tenho muitos questionamentos e o tempo ao meu favor e isso ameniza qualquer que seja a exaltação.
E lembrando do óbvio que diz que não há nada melhor do que dias intercalando noites, pensamentos mil brotam em formas de decisões e expectativas.
Admito que em certos momentos da vida, esperei das pessoas. O melhor amigo, elogio, consideração, respeito, companhia para ir ao cinema, ou caminhar por aí. Hoje tenho em mente que as ações solitárias refletem no coletivo tanto quanto. O papel de bala jogado no lixo, o bom dia ao desconhecido do elevador, o poder da palavra, a demonstração da atitude, o surto no trabalho para desestressar.
Quando se aprende a ser independente é difícil esperar a boa vontade de uns, a disponibilidade de outros, o discernimento de alguns. "Se você quer algo bem feito, faça você mesmo", já disse alguém por aí.
E assim tenho me organizado, escolhido meus caminhos e garantindo a você que, caso eu realmente gostasse de palmito, provavelmente abriria o pote sozinha.
Dê-se o direito de gargalhar, liberte o choro guardado e acene para a vida que ela vai acenar pra você de volta.
Just back atcha. ;)